Calculadora de IMC infantil pelas curvas da OMS
O IMC de quem está crescendo não se lê pela tabela do adulto. Informe peso, altura, idade e sexo e veja onde a criança está na curva da OMS — percentil, escore-z e o diagnóstico nutricional como o Ministério da Saúde o define.
Antes de usar
Esta página é de triagem, e o público dela são pais e profissionais que querem chegar à consulta com o número certo. Um ponto isolado na curva não é diagnóstico: o que o pediatra acompanha é a trajetória da criança ao longo do tempo, junto com estágio puberal, altura dos pais e histórico de saúde. Nenhuma mudança na alimentação de quem está crescendo deve começar por causa de um número desta tela.
O IMC da criança, lido pela curva da idade
Resultado
- Um ponto isolado na curva não é diagnóstico. O que o pediatra acompanha é a trajetória: uma criança que estava no percentil 50 e caiu para o 15 merece atenção mesmo estando dentro da eutrofia.
- Esta página não substitui consulta pediátrica ou avaliação nutricional.
Como o escore-z sai da curva
A OMS publica, para cada mês de idade e cada sexo, três parâmetros:
L (que corrige a assimetria da distribuição), M (a mediana) e
S (o coeficiente de variação). Para 7 anos e 3 meses, L,
M e S valem
−1,3040, 15,5407 e 0,09176. O escore-z é ((IMC ÷ M)^L − 1) ÷ (L × S), e o percentil é a área
da curva normal até ele.
Acima de três desvios a OMS abandona essa fórmula e usa uma escala linear, ancorada na distância entre os desvios 2 e 3. A curva ajustada não é confiável tão longe do miolo dos dados, e extrapolá-la produziria um número sem significado.
O que isso significa para esta altura
Como melhorar esta calculadora?
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Como a leitura é feita
O IMC da criança é a mesma divisão do adulto — peso ÷ altura². O que
muda, e é tudo, é o que se faz com o resultado.
1. O IMC é calculado
24 kg ÷ (1,25 m × 1,25 m) = 15,4. Até aqui, nenhuma diferença para a
IMC.
2. O IMC é comparado com a curva da idade e do sexo
É este o passo que não existe no adulto. A calculadora busca a linha da OMS para 7 anos e 3 meses e para o sexo informado, e mede a que distância da mediana daquela turma este IMC está. A distância é o escore-z.
3. O escore-z vira percentil e vira diagnóstico
O percentil é a leitura fácil do escore-z: quantas crianças em cada cem têm IMC menor. E o diagnóstico nutricional sai da tabela de cortes do SISVAN — que, como a próxima seção mostra, não é a mesma antes e depois dos 5.083333333333333 anos.
Os cortes do SISVAN, por idade
O Ministério da Saúde classifica por escore-z, em dois quadros. Eles coincidem nas faixas de baixo e divergem em duas linhas — as marcadas — porque um excesso de peso antes dos 5.083333333333333 anos ainda é tratado como risco, e não como o quadro instalado.
| Escore-z | Diagnóstico nutricional |
|---|---|
| abaixo de −3 | Magreza acentuada |
| de −3 a −2 | Magreza |
| de −2 a +1 | Eutrofia |
| de +1 a +2 | Risco de sobrepeso |
| de +2 a +3 | Sobrepeso |
| acima de +3 | Obesidade |
| Escore-z | Diagnóstico nutricional |
|---|---|
| abaixo de −3 | Magreza acentuada |
| de −3 a −2 | Magreza |
| de −2 a +1 | Eutrofia |
| de +1 a +2 | Sobrepeso |
| de +2 a +3 | Obesidade |
| acima de +3 | Obesidade grave |
Fonte: Ministério da Saúde — Orientações para a coleta e análise de dados antropométricos em serviços de saúde: Norma Técnica do SISVAN (2011), Quadros 7, 8 e 13. O limite de cima de cada faixa é inclusive: um escore-z de exatamente +1 ainda é eutrofia.
O IMC de cada desvio nesta idade
Uma tabela de percentil impressa não serve para muita coisa, porque ela muda a cada mês de vida. Estes são os IMC de cada desvio-padrão para meninos de 7 anos e 3 meses, tirados da mesma curva que respondeu acima:
| Escore-z | Percentil | IMC |
|---|---|---|
| −3 | 0,1 | 12,3 |
| −2 | 3 | 13,2 |
| −1 | 15 | 14,3 |
| 0 | 50 | 15,5 |
| +1 | 85 | 17,1 |
| +2 | 97 | 19,2 |
| +3 | 99,9 | 21,9 |
Troque a idade no formulário e esta tabela se refaz — ela é da curva daquela idade, não uma tabela geral.
De onde vêm as curvas
De duas referências da Organização Mundial da Saúde, ambas adotadas pelo Ministério da Saúde. Não são uma só, e a calculadora diz qual usou:
- WHO Child Growth Standards (2006) — do nascimento aos 5.083333333333333 anos. É um padrão prescritivo: nasceu de um estudo que acompanhou o crescimento de crianças em condições saudáveis, em seis países, e descreve como uma criança deveria crescer. ver na OMS →
- WHO Growth Reference (2007) — dos 5.083333333333333 aos 19 anos. É uma referência: uma reconstrução da tabela americana de 1977, feita para se encaixar sem degrau na de 2006 aos 5.083333333333333 anos. ver na OMS →
As duas se encaixam no mês 61 — a de 2006 termina no mês 60 e a de 2007 começa no 61. É por isso que o diagnóstico de uma criança de 4 anos e 11 meses e o de outra de 5 anos e 1 mês podem ter nomes diferentes para o mesmo escore-z.
O que este número não diz
- Não diz a trajetória. É o que mais importa em pediatria e é o que uma medida isolada não tem. Uma criança que estava no percentil 50 e caiu para o 15 merece atenção mesmo continuando dentro da eutrofia.
- Não distingue músculo de gordura, nem sabe onde a gordura está — as mesmas limitações do IMC do adulto valem aqui.
- Não considera o estágio puberal. Dois adolescentes de 13 anos podem estar em fases muito distintas do estirão, e o IMC de cada um significa coisas diferentes.
- Não vale para prematuros sem a correção da idade gestacional, que esta página não faz. Fale com o pediatra.
Para o adulto, use a IMC; para a faixa de peso saudável por outras quatro fórmulas, a Calculadora de peso ideal. Se você chegou aqui procurando acompanhamento de gestação, veja a Calculadora gestacional.
Exemplo resolvido
É o exemplo já carregado acima: menino de 7 anos e 3 meses, 24 kg, 1,25 m.
- IMC —
24 ÷ (1,25 × 1,25) = 15,4 - A curva da idade — para meninos de 7 anos e 3 meses, a mediana de IMC é
15,5 - Escore-z —
−0,10, ou seja quantos desvios-padrão o IMC está da mediana de 15,5 dos meninos de 7 anos e 3 meses - Percentil —
46,0: de cada 100 meninos de 7 anos e 3 meses, cerca de 46 têm IMC menor - Diagnóstico — Eutrofia, pelo quadro de 5.083333333333333 a 19 anos
A faixa de peso eutrófico para 1,25 m nessa idade vai de
20,6 a 26,8 kg — é o intervalo entre os escores-z −2 e +1 convertido em
quilos. Repare que ele não é simétrico em torno do peso atual: a distribuição do IMC
é assimétrica, e é justamente isso que o parâmetro L da OMS corrige.
Perguntas frequentes
Por que o IMC de criança não usa a tabela do adulto?
Porque o corpo de quem está crescendo muda de proporção o tempo todo. O IMC cai naturalmente dos 1 aos 6 anos e volta a subir depois — é o chamado rebote de adiposidade. Um IMC de 16 é eutrofia aos 6 anos e magreza aos 17, e o mesmo 22 que é peso adequado no adulto é obesidade aos 7. Por isso a leitura é sempre comparativa: onde esta criança está em relação às outras da mesma idade e do mesmo sexo.
O que é escore-z e o que é percentil?
São duas formas de dizer a mesma coisa. O escore-z conta quantos desvios-padrão o IMC está acima ou abaixo da mediana da idade: zero é exatamente a mediana, +1 é um desvio acima. O percentil traduz isso para "de cada 100 crianças, quantas têm IMC menor" — o percentil 85 corresponde ao escore-z +1. O Ministério da Saúde classifica por escore-z, e é por ele que esta página fecha o diagnóstico.
De onde vêm as curvas usadas aqui?
Da Organização Mundial da Saúde, em duas referências que o Ministério da Saúde adota: os WHO Child Growth Standards de 2006, do nascimento aos 5.083333333333333 anos, e a WHO Growth Reference de 2007, dos 5.083333333333333 aos 19. São tabelas distintas, de metodologias distintas, e não uma só. A calculadora diz qual das duas respondeu.
Por que a mesma faixa é "risco de sobrepeso" antes dos 5 anos e "sobrepeso" depois?
Porque são dois quadros diferentes da Norma Técnica do SISVAN, e não um com ajuste. Antes dos 5.083333333333333 anos, o escore-z entre +1 e +2 é classificado como risco de sobrepeso, e acima de +3 como obesidade. A partir dos 5.083333333333333, o mesmo intervalo de +1 a +2 já é sobrepeso, e acima de +3 é obesidade grave. Uma criança com o mesmo escore-z recebe nomes diferentes conforme a idade, e isso é intencional.
A calculadora serve para bebês?
Serve, porque a OMS publica a curva de IMC desde o nascimento. Mas nos dois primeiros anos o que o pediatra costuma acompanhar são o peso-para-idade, o comprimento-para-idade e o peso-para-comprimento, e não o IMC — que só se torna o indicador principal mais tarde. Se o seu bebê tem menos de 2 anos, use o resultado daqui como referência, e não como o índice que decide alguma coisa.
Meu filho tem 19 anos e meio. A conta vale?
Vale, e por uma regra explícita. A OMS considera adulto a partir dos 19 anos completos e não publica curva além disso; o Ministério da Saúde só considera adulto aos 20. Para o vão entre os dois, a Norma Técnica do SISVAN manda repetir os valores dos 19 anos até os 19 anos e 11 meses — é o que esta calculadora faz. Dos 20 anos em diante, use a calculadora de IMC de adulto.
O resultado deu sobrepeso. E agora?
Leve o número ao pediatra antes de mudar qualquer coisa na alimentação da criança. Restrição alimentar por conta própria em quem está crescendo é capaz de causar mais dano que o excesso de peso que se queria corrigir, e o que o profissional avalia não é o ponto de hoje: é a trajetória da criança, o estágio puberal, a altura dos pais e o histórico de saúde. Esta página existe para você chegar à consulta com o número certo, não para substituí-la.
Como o escore-z é calculado?
Pela transformação LMS da OMS. Cada idade e sexo tem três parâmetros publicados: L (que corrige a assimetria da distribuição), M (a mediana) e S (o coeficiente de variação). Com eles, o escore-z do IMC é ((IMC ÷ M) elevado a L, menos 1) dividido por (L × S). Acima de três desvios a OMS troca essa fórmula por uma escala linear, porque a curva ajustada deixa de ser confiável tão longe do miolo dos dados.
Sobre as fontes: curvas de IMC-para-idade da Organização Mundial da Saúde (referências de 2006 e 2007) e pontos de corte da Norma Técnica do SISVAN, do Ministério da Saúde. O IMC é um indicador de triagem — não mede gordura corporal, não é diagnóstico e não substitui avaliação pediátrica ou nutricional. As demais contas estão nas calculadoras de saúde →