Calculadora de peso ideal
Peso ideal não é um número só. Esta calculadora mostra a faixa de peso associada ao IMC adequado para a sua altura — e, ao lado, o que as quatro fórmulas clássicas de peso ideal respondem, para você ver o quanto elas discordam entre si.
Sua faixa de peso, linha a linha
Faixa saudável pelo IMC
As fórmulas clássicas, para comparação
- Estimativa estatística para pessoas adultas. Não substitui avaliação médica ou nutricional e não diz nada sobre composição corporal, condicionamento ou saúde.
Como a conta é feita
A faixa sai da definição de IMC, invertida: peso = IMC × altura². Com os
cortes de peso adequado do Ministério da Saúde (18,5 e 24,9),
uma altura de 1,80 m dá 18,5 × 3,24 = 59,9 kg na ponta de baixo e 80,7 kg na de cima.
As quatro clássicas seguem todas o mesmo desenho — um peso-base em 5 pés (1,52 m) mais um tanto de quilos por polegada acima disso —, e o que muda de uma para outra são esses dois números. É por isso que elas se afastam cada vez mais conforme a altura sobe.
O mesmo resultado, em outras leituras
Como melhorar esta calculadora?
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Por que uma faixa e não um número
Quem procura "peso ideal" quase sempre quer um número. A resposta honesta é que ele não existe: nenhuma autoridade de saúde publica peso por altura como valor único. O que existe é uma faixa de índice de massa corporal (IMC) associada, em estudos de população, ao menor risco — e é ela que esta página apresenta como resposta principal.
No Brasil, o Ministério da Saúde considera adequado o IMC de 18,5 a 24,9 para pessoas adultas, e de 22 a 27 a partir dos 60 anos. Invertendo a fórmula do IMC, cada altura vira um intervalo de peso: para 1,80 m, de 59,9 kg a 80,7 kg.
A largura desse intervalo não é imprecisão da conta — é o próprio recado. Dentro dele cabem corpos muito diferentes, e não há motivo para escolher um ponto e chamá-lo de meta. Para saber em que ponto da faixa você está hoje, a conta é a outra ponta da mesma fórmula, no cluster de saúde.
As quatro fórmulas clássicas
Todo site de peso ideal cita as mesmas quatro equações. Vale saber de onde elas vêm: as quatro nasceram na farmácia clínica, entre 1964 e 1983, para estimar dose de remédio em pessoas com sobrepeso — não para orientar ninguém sobre o próprio corpo. Nenhuma foi validada contra desfecho de saúde.
Todas têm o mesmo desenho: um peso-base para quem tem 5 pés (1,52 m) mais um acréscimo por polegada (2,54 cm) acima disso.
| Fórmula | Mulher | Homem |
|---|---|---|
| Hamwi (1964) | 45,5 + 2,2/pol | 48 + 2,7/pol |
| Devine (1974) | 45,5 + 2,3/pol | 50 + 2,3/pol |
| Robinson (1983) | 49 + 1,7/pol | 52 + 1,9/pol |
| Miller (1983) | 53,1 + 1,36/pol | 56,2 + 1,41/pol |
Lidas em ordem, elas contam a própria história: cada uma reajustou a anterior contra uma tabela de peso de seguradora mais recente.
Elas discordam — e é isso que a página mostra
Para 1,80 m, homem, as quatro devolvem de 71,5 kg a 77,3 kg — 5,8 kg de diferença entre a menor e a maior. Para 1,60 m, mulher, a distância é de 5,1 kg. Não é ruído de arredondamento: é a resposta mudando de acordo com qual autor de 1964 a 1983 se resolve citar.
O que esta conta não diz
- Não distingue músculo de gordura. O IMC usa só peso e altura. Quem treina força há anos pode aparecer acima da faixa sem que isso indique risco.
- Não vale abaixo de 1,52 m para as clássicas. As quatro fórmulas só têm coeficiente acima de 5 pés; abaixo disso elas extrapolam para fora do intervalo em que foram publicadas e devolvem pesos baixos demais. A faixa por IMC continua valendo.
- Não vale para gestantes, crianças e adolescentes. Na gestação existe curva própria de ganho de peso, acompanhada no pré-natal; até os 19 anos a leitura é por percentil de idade e sexo.
- Não é diagnóstico. Peso é um indicador de triagem entre vários. Exames, histórico familiar, sono, alimentação e movimento dizem mais sobre saúde do que a balança.
Exemplo resolvido
É o exemplo que já está carregado na calculadora acima: homem, 1,80 m, sem idade informada.
- Faixa pelo IMC — 18,5 × 3,24 = 59,9 kg e 24,9 × 3,24 = 80,7 kg. É a resposta: 59,9 a 80,7 kg.
- Hamwi (1964) — 48 + 2,7 × 10,9 pol acima de 1,52 m = 77,3 kg
- Devine (1974) — 50 + 2,3 × 10,9 pol acima de 1,52 m = 75,0 kg
- Robinson (1983) — 52 + 1,9 × 10,9 pol acima de 1,52 m = 72,6 kg
- Miller (1983) — 56,2 + 1,41 × 10,9 pol acima de 1,52 m = 71,5 kg
As quatro caem dentro da faixa, mas em pontos distintos dela, separados por 5,8 kg. Trocando para mulher, 1,60 m, a faixa vira 47,4 a 63,7 kg e as clássicas se espalham por 5,1 kg. É o mesmo padrão, do outro lado da tabela.
Fontes
- Faixa de IMC — Ministério da Saúde — Linhas de Cuidado, Obesidade no adulto: índice de massa corporal, consultado em 04/08/2026. É a mesma tabela que o Ministério usa para classificar baixo peso, peso adequado, sobrepeso e obesidade, e a faixa do idoso (60 anos ou mais) vem da mesma página.
- Hamwi (1964) — Hamwi GJ. Therapy: changing dietary concepts. Em: Danowski TS (ed.), Diabetes Mellitus: Diagnosis and Treatment. Nova York: American Diabetes Association, 1964, p. 73-78.
- Devine (1974) — Devine BJ. Gentamicin therapy. Drug Intelligence and Clinical Pharmacy, v. 8, n. 11, p. 650-655 .
- Robinson (1983) — Robinson JD, Lupkiewicz SM, Palenik L, Lopez LM, Ariet M. Determination of ideal body weight for drug dosage calculations . American Journal of Hospital Pharmacy, v. 40, n. 6, p. 1016-1019.
- Miller (1983) — Miller DR, Carlson JD, Loyd BJ, Day BJ. Determining ideal body weight (carta). American Journal of Hospital Pharmacy, v. 40, p. 1622.
Perguntas frequentes
Existe um peso ideal exato?
Não. Nenhuma instituição de saúde publica um número único de peso por altura. O que existe é uma faixa de IMC associada a menor risco em estudos de população — e faixa é diferente de meta: dentro dela cabem muitos corpos diferentes, todos igualmente saudáveis.
Por que a calculadora mostra uma faixa em vez de um número?
Porque um número só seria mais fácil de ler e menos verdadeiro. Para 1,80 m, as quatro fórmulas clássicas devolvem valores que diferem em 5,8 kg entre si. Mostrar uma delas e esconder as outras três daria a impressão de precisão que a conta não tem.
Por que as quatro fórmulas discordam tanto?
Porque nenhuma delas nasceu para orientar ninguém sobre o próprio corpo. As quatro foram criadas em farmácia clínica para calcular dose de remédio em pessoas com sobrepeso, e cada uma foi ajustada contra uma tabela de peso de seguradora diferente — Hamwi partiu das tabelas dos anos 1950, Robinson das de 1959, Miller das de 1983. São aproximações estatísticas antigas, não medidas de saúde.
O peso ideal muda com a idade?
A faixa muda a partir dos 60 anos. O Ministério da Saúde usa uma faixa de IMC mais alta para pessoas idosas — de 22 a 27 —, porque um pouco mais de reserva de peso está associado a melhor desfecho nessa idade. Preencha a idade e a calculadora troca a faixa sozinha. As quatro fórmulas clássicas não têm termo de idade e não mudam.
A faixa vale para atleta, gestante ou criança?
Não. O IMC não distingue músculo de gordura, então atleta com muita massa magra costuma cair acima da faixa sem que isso signifique risco. Na gestação o ganho de peso é esperado e acompanhado por curva própria no pré-natal. Em crianças e adolescentes a leitura é por percentil de idade e sexo, não por faixa fixa. Nos três casos, quem avalia é o profissional que acompanha.
Meu peso está fora da faixa. O que isso quer dizer?
Que vale a pena conversar com um profissional de saúde, e nada além disso. A faixa é um indicador populacional de triagem: ela levanta a mão, não diagnostica. Peso é uma medida entre várias — exames, histórico, hábitos de sono, alimentação e movimento dizem muito mais sobre saúde do que a balança sozinha.
Devo mirar no meio da faixa?
Não há razão para isso. O meio da faixa é só a média entre os dois extremos, não um alvo com respaldo. Qualquer ponto dentro da faixa é igualmente adequado, e a diferença entre estar em uma ponta ou na outra costuma ser menos relevante para a saúde do que como a pessoa vive.
Isto não é orientação médica. A faixa acima é um indicador estatístico de triagem populacional, não um diagnóstico e não uma meta. Ela não substitui a avaliação de médico ou nutricionista, que é quem pode olhar o conjunto — exames, histórico, composição corporal e rotina — em vez de dois números. Se o resultado te deixou preocupado ou desconfortável, esse é justamente o momento de procurar acompanhamento profissional, e não de mudar a alimentação por conta própria.