Calculadora de salário bruto
Você sabe quanto quer receber na mão; a proposta de emprego é em bruto. Esta página faz a conta ao contrário: informe o líquido e veja o bruto que o produz, verba a verba — e quanto de salário custa cada real a mais na sua conta.
Do líquido que você quer ao bruto que a proposta precisa ter
O que você quer receber
O que o bruto precisa cobrir por cima
- Líquido de folha: bruto menos INSS e IRRF. Vale-transporte, plano de saúde, adiantamento e a própria pensão alimentícia saem depois disso e reduzem o que cai na conta.
- Sem 13º, férias e adicionais: é o salário de um mês comum. Como todos eles são calculados sobre o bruto, o bruto daqui é a base deles também.
Como a conta é feita
Não existe fórmula fechada para o caminho de volta: o INSS é progressivo, o IRRF depende do INSS e o redutor depende do bruto. A calculadora procura, em centavos inteiros, o menor salário bruto cujo líquido alcança o que você pediu — e depois refaz a conta para a frente, com esse bruto, para provar que ele alcança e que um centavo a menos não alcança.
Quanto custa R$ 1,00 a mais na mão, nesta faixa
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Como a conta ao contrário é feita
A conta normal é simples de escrever: líquido = bruto − INSS − IRRF. A de volta
não é, e o motivo é que os três termos se enroscam. O INSS é progressivo por faixas e depende
do bruto; o IRRF depende da base, que é o bruto menos o INSS; e o redutor da Lei nº
15.270/2025 depende de novo do bruto. Não dá para isolar o bruto de um lado do sinal de igual.
O que esta página faz é procurar. Como o líquido nunca diminui de forma relevante quando o bruto sobe, dá para varrer o intervalo por bisseção, em centavos inteiros, até achar o menor bruto cujo líquido alcança o valor pedido. E, achado o bruto, a calculadora refaz a conta para a frente com ele: confere que o líquido bate e que nenhum salário do último real abaixo dele também alcançaria. É a diferença entre devolver um número e devolver um número provado.
O que entra e o que não entra
- Entram a contribuição previdenciária do empregado, calculada faixa a faixa até o teto de R$ 8.475,55, e o imposto de renda retido na fonte, pelo caminho mais favorável entre as deduções legais e o desconto simplificado de R$ 607,20 — com o redutor aplicado depois.
- Não entram vale-transporte, plano de saúde, adiantamento, vale-refeição nem contribuição sindical: são descontos contratuais, sem tabela oficial, e cada empresa aplica os seus. O líquido daqui é o de folha.
- A pensão alimentícia deduz a base do IR, mas não é subtraída do líquido — quem paga pensão recebe o líquido daqui e repassa a pensão depois.
Faixas e teto de Portaria Interministerial MPS/MF nº 13, de 9 de janeiro de 2026, Anexo II (DOU de 12/01/2026, Seção 1, p. 58). Tabela do imposto de Receita Federal — Tributação de 2026, Tabela de Incidência Mensal (Lei nº 15.191, de 11 de agosto de 2025). Redutor de Receita Federal — Tributação de 2026, Tabela de Redução Mensal (Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025).
Quanto custa R$ 1,00 a mais de líquido
É a pergunta que decide uma negociação e que quase nenhuma calculadora responde: se eu quiser um real a mais na mão, quanto a mais tenho de pedir de salário? A resposta não é "um real e pouco" — em uma faixa inteira de salários ela é mais que o dobro.
A conta é a soma das três mordidas que um real a mais de bruto leva, e as três saem das tabelas vigentes:
- INSS: 14% — a alíquota da última faixa, que é onde o salário já está.
- IRRF: 27,5% × (1 − 14%) = 23,65%. O imposto não morde o real inteiro: morde o que sobra dele depois do INSS, porque a contribuição é dedução da base.
- Redutor: 13,31% — entre R$ 5.000,00 e R$ 7.350,00 o abatimento da Lei nº 15.270/2025 encolhe R$ 0,13 a cada real de salário. É imposto que aparece sem nenhuma alíquota ter mudado.
Somando: 14% + 23,65% + 13,31% =
50,96%. Ou seja, de cada real a mais de salário bruto, sobram
R$ 0,49 na mão — e cada R$ 1,00 a mais de líquido custa
R$ 2,04 de salário bruto. É mais que os
27,5% da tabela do IR porque não é uma alíquota só: são três coisas
acontecendo no mesmo real.
| Salário bruto | INSS | IRRF | Redutor | Mordida | Custo de R$ 1,00 |
|---|---|---|---|---|---|
| R$ 3.628,56 | 12% | 15% | −15% | 12% | R$ 1,14 |
| R$ 4.677,14 | 14% | 22,5% | −22,5% | 14% | R$ 1,16 |
| R$ 6.175,00 | 14% | 23,6% | 13,3% | 50,9% | R$ 2,04 |
| R$ 7.912,78 | 14% | 23,7% | 0% | 37,7% | R$ 1,61 |
| R$ 12.713,33 | 0% | 27,5% | 0% | 27,5% | R$ 1,38 |
Medido pela própria calculadora: cada linha compara o líquido de um salário com o de R$ 10,00 a mais. Redutor negativo significa que ali ele ainda está crescendo junto com o imposto e o anula — abaixo de R$ 5.000,00 a mordida é só o INSS, e por isso a coluna do IRRF aparece cancelada.
Repare no que a tabela mostra: a faixa mais cara do país não é a dos salários altos. É a de quem está entre R$ 5.000,00 e R$ 7.350,00, onde a mordida marginal passa de 50,9%. Acima do teto do INSS, onde a contribuição para de crescer, ela cai para 27,5% — cada real a mais de líquido volta a custar R$ 1,38.
Por que vários brutos dão o mesmo líquido
Cada etapa da folha é fechada em centavos: a parcela de cada faixa do INSS, a base do imposto, o imposto apurado e o redutor. Quatro arredondamentos independentes fazem com que o líquido não suba de forma contínua junto com o bruto — ele sobe em degraus.
Dá para medir. Entre R$ 6.049,29 e R$ 6.059,29 existem 1001 salários brutos possíveis, de centavo em centavo. Eles produzem apenas 492 líquidos diferentes: mais da metade dos centavos de aumento não muda um centavo na sua conta.
E há degraus para baixo
Mais estranho ainda: existem salários em que ganhar um pouco mais deixa menos na mão. Com as tabelas vigentes, um salário bruto de R$ 5.000,15 deixa R$ 4.498,57 na conta, e um de R$ 5.000,16 deixa R$ 4.498,56 — um centavo a mais de salário, R$ 0,01 a menos de líquido. Não é erro de cálculo: é o encontro dos arredondamentos no mesmo centavo, e some quando o salário anda mais um pouco.
É por isso que esta página devolve o menor bruto que alcança o líquido pedido, mostra o líquido efetivamente alcançado e declara a sobra numa linha própria do extrato. Calculadora que promete igualdade exata sem mostrar o degrau está escondendo a parte interessante — e, quando o valor pedido cai entre dois degraus, devolvendo um número que não se sustenta no contracheque.
Levando o número para a negociação
O salário do contrato, da carteira e de todas as contas trabalhistas é o bruto. É sobre ele que se calculam o 13º salário, as Férias, o aviso prévio e o depósito do FGTS — e é o bruto que define quanto entra na sua contribuição previdenciária, que um dia vira aposentadoria. Combinar "quero R$ 5 mil líquidos" e deixar a empresa converter é entregar a régua para o outro lado.
O caminho prático é o inverso: decida o líquido, converta aqui, e leve o bruto para a mesa. Duas checagens antes de fechar:
- Confira o caminho de volta na calculadora de Salário líquido: o bruto que você vai propor tem de devolver o líquido que você quer.
- Desconte o que a empresa desconta. Vale-transporte, plano de saúde e coparticipação saem depois do líquido desta página. Se eles somam R$ 300, o líquido a pedir aqui é o que você quer na conta mais R$ 300.
E, sabendo a cunha marginal da sua faixa, dá para negociar com um argumento que quase ninguém leva: pedir R$ 2,04 a mais de bruto para ganhar R$ 1,00 na mão é caro para os dois lados — às vezes benefício que não passa pela folha resolve melhor a mesma conversa.
Exemplo resolvido
É o exemplo já carregado na calculadora acima: R$ 5.000,00 na mão, sem dependentes, sem pensão e sem outras deduções.
- Bruto necessário — R$ 6.054,29. É o menor salário cujo líquido alcança R$ 5.000,00; com R$ 6.054,28 a conta já não fecha.
- INSS — R$ 649,12, somando as faixas até 14% e dando 10,72% efetivos sobre o salário.
- IRRF — base de R$ 5.405,17 a 27,5% menos R$ 908,73 dá R$ 577,69 de imposto apurado; o redutor abate R$ 172,52 e sobram R$ 405,17 retidos.
- Conferindo —
R$ 6.054,29 − R$ 649,12 − R$ 405,17 = R$ 5.000,00.
E a parte que muda a decisão: nesta faixa, R$ 500,00 a mais de salário bruto viram R$ 245,18 a mais na mão — o resto vira INSS, imposto e redutor que derreteu. Quem pedir R$ 6.554,29 em vez de R$ 6.054,29 recebe R$ 5.245,18 de líquido.
Para o caminho de ida, com o mesmo par de tabelas, use o Salário líquido. Para entender só a contribuição previdenciária, faixa a faixa, o INSS. E se o assunto for a saída do emprego, a conta é a da Rescisão trabalhista.
Perguntas frequentes
Por que o bruto tem de ser tão maior que o líquido que eu quero?
Porque as duas retenções crescem com o salário e uma entra na conta da outra: o INSS é dedução da base do IR. No exemplo desta página, R$ 5.000,00 na mão exigem R$ 6.054,29 de bruto — R$ 1.054,29 ficam pelo caminho, 17,41% do total. A distância cresce junto com o salário, porque as faixas de cima são mais caras.
O bruto que a calculadora devolveu dá exatamente o líquido que pedi?
Nem sempre, e a página mostra a diferença. Cada tributo fecha em centavos, então a função que leva do bruto ao líquido é uma escada: em R$ 6.049,29–R$ 6.059,29, 1001 brutos diferentes produzem só 492 líquidos. Devolvemos o MENOR bruto cujo líquido alcança o pedido, com o líquido alcançado e a sobra na primeira linha do extrato.
Ganhei um aumento e quase nada mudou na conta. É normal?
É esperado entre R$ 5.000,00 e R$ 7.350,00 de bruto. Nessa faixa cada real a mais é mordido duas vezes: paga o imposto da faixa e ainda derrete um pedaço do redutor da Lei nº 15.270/2025. Somando o INSS, a mordida marginal chega a 50,96% — bem acima dos 27,5% que a tabela do IR anuncia. No exemplo, R$ 500,00 a mais de bruto viram R$ 245,18 na mão.
Devo negociar o salário bruto ou o líquido?
O contrato, a carteira e todas as contas trabalhistas são em bruto — 13º, férias, aviso prévio, FGTS e a contribuição que conta para a aposentadoria saem dele. Negociar "líquido" só funciona como tradução: decida quanto quer na mão, converta para bruto aqui e leve o bruto para a mesa. Quem combina líquido sem converter descobre a diferença no primeiro contracheque.
Vale-transporte e plano de saúde entram nesta conta?
Não, e é proposital. São descontos contratuais, variam de empresa para empresa e não têm tabela oficial — misturá-los aqui daria um número que parece exato e não é. O líquido desta página é o de folha: bruto menos INSS e menos IRRF. Se a sua empresa desconta vale-transporte, plano ou adiantamento, subtraia depois; o bruto para a mesma sobra final será maior.
E se eu pago pensão alimentícia?
A pensão deduz a base do imposto de renda, e é isso que o campo faz: com pensão, o mesmo líquido de folha exige um bruto menor. Mas o valor sai da sua mão depois — o líquido calculado aqui ainda inclui o dinheiro que será repassado. Para saber quanto sobra de verdade, subtraia a pensão do líquido.
Base legal: Portaria Interministerial MPS/MF nº 13, de 9 de janeiro de 2026, Anexo II (DOU de 12/01/2026, Seção 1, p. 58) — faixas e teto da contribuição previdenciária. ver na íntegra → Imposto de renda: Receita Federal — Tributação de 2026, Tabela de Incidência Mensal (Lei nº 15.191, de 11 de agosto de 2025). ver na íntegra → Redutor: Receita Federal — Tributação de 2026, Tabela de Redução Mensal (Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025). ver na íntegra →